segunda-feira, 2 de julho de 2007

O meu herói Nacional

Existem heróis que, desde a tenra idade, habitam o nosso imaginário. Heróis que nos fizeram sonhar e imaginar que poderiamos ter capacidades e poderes, na maioria das vezes, impossíveis aos mortais comuns. Tantas e tantas vezes imaginei que era o Bat-Man ou o Super-Homem. No cinema ou nos quadradinhos, estes heróis ajudaram-me a definir o meu carácter, a entender a diferença entre o bem e o mal, entre a justiça e a injustiça. Mas os anos passam, e cedo percebi que não me poderia rever para sempre em personagens fictícias, fruto da imaginação de alguns criativos. Constatei, então, que fora da BD existiam outros heróis. Grandes Estadistas, desportistas, artistas ou mesmo pessoas comuns, que para muitos não representavam nada, mas que para mim representavam tudo. Mas de toda esta parafernália de heróis, sobra um, nada mais nada menos do que, o meu herói Nacional. Muitos portugueses elegeram como seu herói Nacional o Figo ou outros jogadores da bola, no desporto motorizado, um recente Tiago Monteiro, na política o Mário Soares ou o Professor Marcelo. Eu escolhi o Arquitecto Tomás Taveira. Por nenhuma razão especial. Apenas por achar que, de há uns anos para cá, com tanta figura estranha e pouco carismáticas, com tanta gente cinzenta e mal formada, este homem, cuja intimidade foi brutalmente invadida, soube contornar o problema e voltar às luzes da ribalta, ainda que de forma discreta. Mas, camarada Tomás, não fui eu que divulguei as imagens e, como tal, não pude deixar de as ver e rever, de decorar algumas das falas e, quiçá, um ou outro movimento mais atrevido ;) Isto tudo porque no outro dia, fazendo umas arrumações cá em casa, descobri a velha fita, que revi com gosto, e ri como um perdido. Frases emblemáticas como "tão bom...esse cú", "queres que ponha o óleo?", "ui...o cú da querida", "ui...a menina da Kokay" ou o clássico "pronto...pronto...não chora...tá todo, tá todo...tá toooodo lá dentro!!!" fizeram as delícias de algumas gerações, e ainda hoje são repetidas, como se a coisa tivesse sido ontém. Porque ao menos o Taveira era um homem a sério. Gostava de partir cús. E depois!!?? Partia os cús às miúdas, todas elas maiores de idade e conscientes do que estavam a fazer. Não andava por aí a comer o cú das criancinhas nem a enrabar menores de idade em troca de uns ténis Nike. Estes homens sim, são porcos, corruptos e obscenos. E muitos ficaram impúnes. O azar do camarada Taveira, foi mesmo a coisa tranpirar cá para fora. Mas pelo menos ficamos a saber que em Portugal ainda há homens a sério, e não apenas bichas e pedófilos.

sábado, 9 de junho de 2007

Facto


Os malucos da praia do Guincho


Não eram portugueses. Talvez por isso, pela excessiva descontração, pelo facto de se estarem simplesmente a cagar para quem os observava, ri-me como um perdido. A entrada na praia foi triunfal e, despertou de imediato a minha total atenção. Um deles, ignorando a entrada comum e normalmente utilizada pelos banhistas, descia a encosta da Crismina, deslizava pelas dunas ao som de um tilintar que me soava familiar. Não havia a mínima dúvida, era um saquinho cheio de Super Bock's. Os outros seguiram-no, rindo e já cambaleando. Via-se que já tinham feito o "aquecimento" ao almoço. Estava um dia de sol e, depois de uma árdua semana de trabalho na construção (algo me diz que laboravam neste sector), era natural que o aproveitassem ao máximo. Não traziam apenas cervejas. O Kit estava mais composto. Uma prancha de Bodyboard preenchida pelas figuras do filme "Finding Nemo", uma bola de futebol, à falta de toalhas...um mega cobertor e, para ensopar, umas "buchinhas." Pela língua, deduzi que fossem dos Balcãs. Riram, brincaram, jogaram, emborcaram (muito mesmo), nadaram e fizeram "body." O calor interno era tal que ignoravam as gélidas temperaturas do mar do Guincho. Como se previa, face aos excessos do consumo e por ignorarem que ali as correntes são fortes e traiçoeiras, já um deles seguia à deriva, naturalmente, sem força e folego para regressar. Vai lá que a época balnear já começou (oficialmente), e o "Mitch" de serviço lá se atirou ao mar em busca do náufrago. Mas nem por isso os ânimos esmoreceram. Nada disso. Próxima etapa: escavação de uma vala profunda. Quando dei por mim, já um deles estava enterrado até ao pescoço. Ele ria e os amigos assistiam-no, levando-lhe à boca a fresquinha "Super." Depois foi o momento do "Olá fresquinho", vivido intensamente pelo vendedor, pois calculo que nunca teve tanta mão junta a proceder à escolha no interior da sua sacola térmica. E assim, de um momento para o outro, levantam armas e seguem para outras paragens. Nem todos. O amigo permanece enterrado e grita para que os companheiros o ajudem a sair. Mas estes já se encontram no topo da encosta a rir como uns perdidos. Ele esforça-se, mas nada. Calculo que estivesse enterrado de pé. Consegue sacar um bracinho e abana-o para aliviar as cãimbras. Saca o outro. Abana-se, contorce-se e, passados dez minutos, lá consegue a liberdade. Menos mal, pensou ele, seguiu rindo ao encontro dos companheiros. Há dias assim.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Momento Zen


...porque é de pequenino que se torce o pepino.


Empurrar o carro

Calculo que poucos conheçam a sensação de empurrar um carro. Digo poucos porque, nos dias de hoje, é quase impensável imaginar, sequer, que estas máquinas que nos transportam frenéticamente de um ponto A para um ponto B, possam falhar. Ainda por cima, criaram-se facilidades que antes não existiam, como a assistência em viagem. Se temos um furo, cai-se no ridiculo de ligar para o número verde que temos no canto superior direito do pára-brisas para pedir socorro à "Marta." No meu tempo não era assim. Sei bem o que é empurrar uma viatura e trocar um pneu. Talvez porque lá em casa ninguém se endividava para comprar automóveis ou porque havia coisas mais interessantes onde gastar o dinheiro, alguns dos carros que por lá passavam eram grandes máquinas, mas fatigadas pelo uso excessivo. Quantas e quantas vezes tinha-mos que empurrar o "Carpol" ou mudar um pneumático. O que nos ria-mos. Fiquei instruído, ora pois. E já mais grandinho, não só mudei os meus como também já salvei amigos de situações embaraçosas, como por a namorada a trocar o pneu por não saber (esta é para ti Bruno). Nos últimos tempos tenho recordado estes dias da infância. O carro simplesmente não pega. Mas é uma boa sensação. Luto com a máquina. Parto do princípio que sou mais inteligente e que vou vencer a batalha. Após 30 minutos, continua a não querer funcionar. Tenho, então, que o empurrar. Mas como está entre dois carros, arregaço as mangas e manobro-o manualmente até que chegue ao meio da rua. Ligo a ignição, ponho em ponto morto, começo a empurrar até que ganhe uma velocidade considerável. Salto para a viatura e, com rapidez e precisão, engato segunda, largo a embreagem, ele engasga-se e...voilá, funciona. Voltando ao início: a sensação de empurrrar um carro...fantástica! Venci a máquina, venci o desespero que passei durante largos minutos, sou o maior. No meio deste filme todo, o pior mesmo foi ver as pessoas a olhar para mim. Como nunca lhes aconteceu, olham com aquele misto de pena e vontade de ajudar, mas..."desenrasca-te meu!" E olham, comentam, como se fosse um criminoso. E para vocês que ficaram a olhar para mim feito parvos em vez de darem uma mãozinha enquanto me matava a empurrar o carro num parque de terra das praias da Costa..."tudo de bom!"

Machista Gay...Parte II


domingo, 6 de maio de 2007

Espaço Publicidade


Fartou

Tenho pena. É que fartou mesmo. Passar um programa inteiro, como aconteceu hoje, sem soltar uma única gargalhada, é grave. O que se passa com os Gato Fedorento??? Eu que os sigo desde o início, que fazia trinta por uma linha para apanhar todos os seus sketches, que me ria como um perdido com as suas aparições na Radical, que os fui ver ao teatro, que imitava as rábulas nos tempos da faculdade quando ainda não eram conhecidos, "fico chateado, com certeza que fico chateado" por ver que estão a perder a graça. São vitimas do seu estrondoso sucesso. Bem sei que melhoraram a sua qualidade de vida. Se estivesse no lugar deles, o mais provável era que fizesse o mesmo. No entanto, não posso deixar de ficar triste com as recentes actuações. Ainda não perderam a graça por completo, mas estar sempre a bater na mesma tecla torna-se enfadonho. Estava-se mesmo a ver que, desde aquele anúncio do Montepio onde aparecia o Ricardo Araújo Pereira, a coisa ia dar a volta. E, efectivamente, deixaram-se contagiar pela histeria colectiva. Recordo com saudade os velhos tempos do Gato Fedorento. Programas e personagens como "o inventor de tudo, o homem que parece que aconteceu não sei o quê, o homem que tratava todos por Sr. Vitor, o nudismo, os 100 metros ciganos", entre outros, proporcionaram, a mim e aos meus camaradas da luta, fantásticos momentos de boa disposição. Calculo que os próprios "gatos" se divertissem muito mais quando trabalhavam com meios mais escassos e com maior simplicidade. Enfim, espero que não caiam na asneira dos excessos, como aconteceu ao Herman. Enquanto insistem na parvoíce vulgar, vou-me deliciando com o camarada Jel. Este sim, penso que se manterá fiel aos seus princípios. De outra maneira não teria graça nenhuma. E para todos vocês que lêem este blog..."tudo de bom!"



quarta-feira, 25 de abril de 2007

A corrida mais louca do mundo


O 25 de Abril e o Túnel do Marquês

25 de Abril de 2007. Dia de festa por duas razões: porque se celebra o 25 de Abril de 74 e porque, finalmente, dá-se a desejada inauguração do Túnel do Marquês. E neste dia de festa, neste dia em que se celebra a liberdade, o tuga decide festejar a efeméride numa catacumba de betão. É verdade, vi nas notícias, tavam lá todos, a percorrer o túnel de ponta a ponta, de cravo em riste. Centenas de famílias portuguesas atestaram a veracidade do túnel, testaram a estrutura, opinaram sobre a sua utilidade e sobre as mais valias vindouras. Foi bonito vê-las a circular pelo seu próprio pé. Também vi cãezinhos, rapaziada "a abrir" nos skates e em trotinetes e, tenho quase a certeza que, lá no cantinho do ecrã da minha TV estavam duas ou três famílias a fazer o belo do piquenique do feriado bem no centro do túnel. Ahh!!!! E que bem sabia o Tinto Benfica. Disse-me o meu amigo que varreu o túnel antes de o abrir ao trânsito que, em anos de vida como varredor toupeira, nunca tinha visto tanta poia canina num espaço reservado ao automóvel. E como o tuga é um animal de hábitos consolidados, assim que o verde acenou para que os automobilistas avançassem, rapidamente se formou uma interminável fila de trânsito. Como já não basta a hora e meia que nos cinco dias da semana passa no IC19, o tuga não resistiu e lá foi para a bicha do Marquês. Mas como é novidade, era vê-los a sorrir de felicidade por passarem o dia da liberdade a ouvir as últimas sobre a situação do trânsito numa qualquer estação de rádio. Caríssimos, afinal foi por isto que lutaram os Capitães de Abril. Pela valorização do betão, pelo aumento da emissão de gases, pela promoção da falta de cultura e da estupidez colectiva. Importam as estradas e o parque automóvel GT, os créditos mal parados, a insubordinação e a falta de respeito. Não era isto que os lutadores de Abril aspiravam para Portugal. Garanto-vos. Ah, é verdade, assim, incógnito e escondidinho para não levar na cabeça por ter atrasado o evoluir da obra, lá estava o José Sá Fernandes a engolir a sua derrota. Só quero ver se ele vai cumprir a velocidade de 30 Km, por ele recomendada, sempre que passar no túnel com a sua máquina, motorizada ou a ar, como queira.